Notícia

10 de Outubro, 2018

Círculos menores destaca protagonismo dos jovens na Igreja

Padres sinodais refletem sobre a necessidade de uma Igreja empática, em diálogo com a juventude, durante encontros no Sínodo dos Bispos

Catorze sínteses, seis línguas, e um tema: a escuta marcaram as articulações dos Círculos Menores Sinodais, centrado na primeira parte do Instrumentum Laboris, realizada no dia de ontem, 09, durante a quinta Congregação geral dos Sínodo.

Os Padres Sinodais observaram a necessidade de uma Igreja empática, em diálogo, que evite auto-referencialidade, preconceitos, e pontos sobre a credibilidade do testemunho. De acordo com os sacerdotes, os jovens devem ser valorizados e serão evangelizadores de seus coetâneos. “A sua participação ativa na vida eclesial deve ser promovida e relançada, o seu compromisso deve ser bem aproveitado numa perspectiva de verdadeira sinodalidade, para que sejam protagonistas, com responsabilidade, de processos e não de eventos individuais”, esclareceram os padres.

Os jovens, “sismógrafo” da realidade

O Sínodo reiterou ao dizer que os jovens são Igreja e comparou-os como “Sismógrafo da realidade”. Os padres prosseguiram ressaltando que é preciso oferecer-lhes com alegria, as razões para viver e esperar, evitando moralismos e mostrar que a vida é a resposta à vocação que Deus dá a cada um de nós. “No fundo, a vida é bonita porque tem sentido. Os jovens são capazes de tomar decisões, mas é preciso ajuda-los a tomar decisões a longo prazo”, afirmaram durante o encontro.

O risco de “demência digital”

Os Padres Sinodais recordaram aos jovens dos Círculos menores que a cultura digital está presente na vida deles, rica de luz, mas também de sombras, e os alertaram sobre as causas de riscos que essa nova era pode causá-los, como o aumento do sentimento de solidão, o risco de uma atitude compulsiva para com a “cultura da tela”, de uma “demência digital” que implica a incapacidade de concentração e compreensão de textos complexos, de uma “migração virtual” que transporta os jovens para um mundo próprio, às vezes fruto da invenção. “A presença da Igreja é essencial para acompanhar os jovens, ensinando-lhes que a internet deve ser usada, mas sem que sejam usados. É bom recordar que muitos jovens ‘não conectados’ vivem em áreas rurais sem internet”, pontuaram os padres.

Enfrentar o escândalo dos abusos

Durante o Congresso, o tema de abusos também foi examinado pelos 14 Círculos menores, o Sínodo explicou que o tema é um fator de escândalo que ameaça a credibilidade da Igreja e deve ser abordado de forma profunda, reconquistando a confiança dos fiéis, sem esquecer o que já foi feito pela Igreja para combater e prevenir esse crime e evitar outras faltas catastróficas.

Os Padres Sinodais reforçaram o tema ao advertir que é importante ajudar os sobreviventes dos abusos a encontrar o caminho do perdão e da reconciliação. “Os Círculos menores sublinham a necessidade de uma articulação melhor da questão da sexualidade, que deve ser enfrentada com clareza e humanidade, sem negligenciar a linguagem teológica”, relataram.

Não esquecer os migrantes internos nas nações

O olhar da Sala Sinodal se dirigiu ao tema da migração, que também afeta muitos jovens: a migração é o paradigma do interesse que os jovens dedicam ao compromisso da Igreja no campo da justiça e da política. Os padres justificaram que, por isso, é necessária uma pastoral adequada ao setor e um envolvimento conjunto das Conferências Episcopais afetadas diretamente por esse fenômeno.  Além disso, foi destaco que é necessário defender a causa do migrante internacionalmente, criando canais de legalidade e segurança.

“É importante promover oportunidade nos países de proveniência e nos de acolhimento. Não devemos esquecer as pessoas deslocadas e os migrantes internos nas nações, assim como os perseguidos e martirizados em muitas áreas do mundo”, sugeriram.

Educação seja sólida, interdisciplinar e integral

Outros destaques durante as discussões foram a formação e a educação como algo sólido, interdisciplinar e integral. Os padres recordaram a importância das escolas e universidades católicas, que devem ser valorizadas, e não instrumentalizadas, para que possam formar os jovens na fé e na vida cristã. Foi reiterado que o ensinamento é uma das tarefas principais da Igreja e que, muitas vezes, diante de fenômenos como o fundamentalismo e a intolerância, a resposta melhor está na promoção de uma educação ao respeito e ao diálogo inter-religioso e ecumênico.

Reforçar a família a acompanhar os jovens no caminho da fé

O tema abordado no encontro destacou, também, a questão da “formação de um indivíduo” ao passar no desafio de uma pastoral familiar adequada, que ajude na transmissão da fé entre as várias gerações. Os participantes do Sínodo, afirmaram que, atualmente, a família está passando por uma fase de crise, devido à sua desestruturação e ao enfraquecimento da figura paterna.

Os padres presentes no evento declararam que é responsabilidade de todo fiel acompanhar os jovens ao encontro pessoal com Jesus, porque a juventude se constrói com base no que recebe na família. Por isso, lembraram os Padres, que a Igreja, “família de famílias”, deve oferecer aos jovens uma verdadeira experiência familiar, na qual se sintam acolhidos, amados, cuidados e acompanhados em seu crescimento, em seu desenvolvimento integral e na realização de seus sonhos e esperanças.

A Igreja deve ser uma escola de ensino

O Sínodo afirmou que a garantia da formação correta e adequada destes jovens também é de responsabilidade dos pastores. “Na verdade, é necessário um novo estilo de vida sacerdotal e são necessários bispos que saibam acompanhar de maneira competente os jovens, porque no momento parecem faltar estratégias pastorais eficazes, capazes de se confrontar com o secularismo, e com a globalização, que apresenta oportunidades para conciliar modernidade e tradição”, explicaram.

Os representantes do Congresso esclareceram que no fundo, a Igreja, mãe e mestra, deve ser uma escola de ensino para cada jovem, superando a falta de sintonia entre ela e os adolescentes.

Uma nova proposta de mensagem para os jovens

Ao final do momento discussão no Círculo, surgiu a proposta de que do Sínodo possa sair uma mensagem aos jovens e que tenha um estilo narrativo adequado para transmitir a eles a esperança cristã com palavras proféticas que relatam o olhar de Deus sobre a juventude. “Desta ótica, o uso de multimídia também é sugerido, a fim de se dirigir aos jovens não apenas com um texto escrito, mas também com vídeos e imagens”, finalizaram os participantes.


Fonte: Amex, com Vatican News