Notícia

16 de Novembro, 2012

“O Pai, fonte e origem da Palavra”

 A Palavra se identifica com Aquele que a pronuncia. Por isso ela é divina e traz em si o dinamismo e a força Daquele que a pronunciou. A Palavra é criadora, salvadora e fortalecimento. Continua nela a vontade de vida que o Pai colocou no universo; continua ouvindo os clamores dos sofredores, como lemos no livro do Êxodo, na libertação do povo; Ouve os gritos dos humildes humilhados (Is 19,20). O contato com a Palavra é o contato com Aquele que a pronunciou. Essa Palavra está presente em nossas celebrações ensinando ver ali a continuada salvação que nos oferece e da qual participamos. Cada celebração é um momento histórico da intervenção redentora de Deus em Cristo. Deus continua agindo. O texto lido proclama essa presença. É uma Palavra sempre nova, pois sempre novo é Aquele que a comunica.

O Filho enviado do Pai

Como é próprio de Deus se comunicar, o Pai, para levar-nos à comunhão, envia o Filho, a Palavra eterna (Logos), que se faz carne (Jo, 1,14). Fazer-se carne é ser realidade humana completa, em comunicação. “Deus fonte da revelação manifesta-Se como Pai e leva à perfeição a educação divina do homem” (VD 20). Deus, na história da salvação, realizara essa educação através dos profetas e maravilhas na criação e na história do seu povo. A revelação de Deus não é só para um povo particular, mas para todos os povos. Por meios diferentes Deus educara todos os povos, fazendo do Seu povo, o missionário. Jesus abriu a todos os povos as alianças e as promessas de Deus. Para que essa comunicação da Palavra penetrasse os corações, Jesus oferece o Espírito Santo (Jo 14,16). Toda a comunicação que Deus faz, só penetra em nosso entendimento e é levada adiante como ação de vida, pela atuação do Espírito Santo “que guiará à verdade total” (Jo 16,13). O documento do Papa continua insistindo na fidelidade de Deus: “Deste modo todas as promessas de Deus se tornam “sim” em Jesus Cristo” (2 Cor 1,20). Ele é a garantia. “Abre-se assim para o homem, a possibilidade de percorrer o caminho que conduz ao Pai” (VD 20).

O Silêncio de Deus

Há, na comunicação de Deus, tempos que causam muita dificuldade para muita gente que se diz e se sente fiel: o silêncio de Deus, como se Ele desaparecesse. Há momentos em que tudo se torna escuro. É uma noite da alma. Jesus passou por isso, como vemos em sua queixa na cruz: “Meu Deus, por que me abandonastes” (Mc 15,34). Jesus mesmo responde: “Pai, em tuas mãos, entrego meu Espírito” (Lc 23,46). Só a obediência é capaz de suportar este momento, como fizeram os santos. O silêncio de Deus é também uma palavra forte. Viver a pura fé de acolhimento sem exigir sentimentos e recompensas é o modo mais certo de garantir a certeza de nossa fé. Deus não me ouve, mas continuo amando e acreditando do mesmo modo. Vemos agir em nós o Espírito Santo.

 

Pe. Luiz Carlos de Oliveira

Redentorista