NOTÍCIAS

Notícias Internacionais

Papa pede mais compaixão pela dor dos sobreviventes do terremoto, tsunami e acidente nuclear de 2011

27/11/2019
Papa pede mais compaixão pela dor dos sobreviventes do terremoto, tsunami e acidente nuclear de 2011

Cerca de 800 pessoas aceitaram o convite e participaram do encontro com Francisco nesta semana, em Tóquio. Os três desastres, que fizeram mais de 18 mil vítimas fatais em março de 2011, ainda trazem consequências na vida da sociedade, e o Papa exorta compaixão com os sobreviventes através do combate à cultura da indiferença.

Andressa Collet - Cidade do Vaticano

O Papa Francisco começou a semana e a sua segunda-feira (25) no Japão encontrando as vítimas de um dos anos inesquecíveis para a história de vida de milhares de japoneses: era março de 2011 quando um terremoto de magnitude 9 ainda provocou um tsunami e causou um acidente nuclear em Fukushima – esse último, comprovado por especialistas como um desastre provocado pelo homem, e não apenas uma consequência da força da natureza no nordeste do país. Ao testemunhar esses três desastres ao Pontífice, Toshiko, Tokuun e Matsuki, no Centro de Convênios Bellesalle Hanzomon, um dos mais importantes de Tóquio, que recebeu cerca de 800 pessoas.

Um momento de silêncio pelas 18 mil vítimas fatais

O Pontífice iniciou o discurso falando da importância de encontrar e de ouvir os sobreviventes dos desastres, que tanto sofreram, mas que, com a sua presença, demonstram “esperança aberta para um futuro melhor”. E daí, a convite de uma das vítimas, Matsuki, o Papa motivou para um momento de silêncio e oração “pelas mais de 18 mil pessoas que perderam a vida, pelas suas famílias e pelos que ainda estão desaparecidos”.

Em seguida veio o agradecimento às forças locais que trabalharam na reconstrução das áreas afetadas e auxiliaram as mais de 50 mil pessoas evacuadas por causa das catástrofes e que, ainda hoje, moram “em alojamentos provisórios, sem poder ainda regressar às suas casas”. O Pontífice também estendeu gratidão ao mundo todo que se mobilizou, com “a oração e a assistência material e financeira”, para socorrer as populações atingidas.

O apelo pelo suporte aos sobreviventes

O apelo pelo suporte continua mesmo depois de 8 anos dos três desastres, afirmou o Papa, ao lembrar que muitos afetados agora estão esquecidos, precisando enfrentar “terras e florestas contaminadas e os efeitos a longo prazo das radiações”. Pela solidariedade e apoio de toda a comunidade, Francisco exortou:

“ Ninguém se ‘reconstrói’ sozinho, ninguém pode começar de novo sozinho. É essencial encontrar uma mão amiga, uma mão irmã, capaz de ajudar a erguer não só a cidade, mas também o olhar e a esperança. ”

O combate à cultura da indiferença

Ao responder um questionamento do sobrevivente Tokuun, sobre o problema das guerras, dos refugiados, da alimentação, das desigualdades econômicas e dos desafios ambientais, Francisco disse que é preciso tomar decisões corajosas sobre o uso dos recursos naturais, em particular, sobre as fontes de energia, mas sobretudo trabalhar para combater um dos males que mais nos afeta: a indiferença.

“ Urge mobilizar-se para ajudar a tomar consciência que, se um membro da nossa família sofre, todos sofremos com ele; porque não se alcança uma interconexão se não se cultiva a sabedoria da mútua pertença – pertencemo-nos uns aos outros –, a única capaz de assumir os problemas e as soluções de maneira global. ”

Aqui o Papa Francisco fez referência ao acidente nuclear em Fukushima que continua trazendo consequências, em especial, no tecido da sociedade para restabelecer os laços das comunidades locais:

“ Daqui brota a preocupação com o prolongamento do uso da energia nuclear, como justamente apontaram os meus irmãos bispos do Japão, que pediram a abolição das centrais nucleares. O nosso tempo sente-se tentado a fazer do progresso tecnológico a medida do progresso humano. ”

Esse “paradigma tecnocrático” de progresso e desenvolvimento, acrescentou o Papa, afeta a vida das pessoas e o funcionamento da sociedade. O momento é de reflexão crítica e de grande responsabilidade com as futuras gerações sobre quem queremos ser, exortou Francisco: “que espécie de mundo, que tipo de legado queremos deixar a quem vier depois de nós?” Nesse caminho, “todos podemos colaborar, como instrumentos de Deus, no cuidado da criação, cada um a partir da sua cultura, experiência, iniciativas e capacidades”.

“ Queridos irmãos, no trabalho contínuo de recuperação e reconstrução depois dos três desastres, muitas mãos se devem juntar e muitos corações se devem unir como se fossem um só. Dessa forma, as pessoas que sofreram receberão apoio e saberão que não foram esquecidas. Saberão que muitas pessoas compartilham, ativa e eficazmente, o seu sofrimento, e continuarão a estender uma mão fraterna para ajudar. Mais uma vez, louvemos e demos graças por todos aqueles que procuraram, com simplicidade, aliviar o peso das vítimas. Que essa compaixão seja o caminho que permita a todos encontrar esperança, estabilidade e segurança para o futuro. ”

Fonte: https://www.vaticannews.va/