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Hilarion com o Papa: trabalhando juntos para proteger os cristãos

18/02/2020
Hilarion com o Papa: trabalhando juntos para proteger os cristãos

Audiência na manhã desta quinta-feira com o Metropolita Hilarion de Volokolamsk, presidente do Departamento das Relações Externas do Patriarcado de Moscou. Em entrevista ao Vatican News, ele faz um balanço dos projetos culturais e sociais quatro anos após o histórico encontro entre Francisco e o patriarca Kirill em Havana e sobre as preocupações da Igreja Ortodoxa Russa com as perseguições contra os cristãos no mundo.

Gabriella Ceraso - Cidade do Vaticano

O chefe do Departamento das Relações Externas do Patriarcado de Moscou, Metropolita Hilarion, está em Roma por ocasião do IV aniversário do histórico encontro entre o Papa Francisco e o patriarca de Moscou e toda a Rússia Kirill realizado em Havana. Na quarta-feira ele teve um encontro com o cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, na Conferência e no Concerto sobre o tema dos Santos - Sinais e sementes da unidade.

Já na manhã desta quinta-feira, 13, no Vaticano, foi recebido em audiência pelo Papa Francisco e, à tarde, Hilarion apresenta ao público romano a tradução do livro "Morte e Ressurreição", o último de uma série que faz parte da coleção "Jesus Cristo. Vida e Ensino", publicada nos últimos anos.

O Vatican News conversou com ele na véspera da audiência com o Santo Padre e ao final do encontro do Grupo misto que no Vaticano fez um balanço dos projetos culturais e sociais que as duas Igrejas vêm realizando há quatro anos, para a implementação dos principais conteúdos da Declaração Conjunta assinada em Havana, em 12 de fevereiro de 2016, pelo Papa e pelo Patriarca Kirill.

Quais são os seus sentimentos de estar aqui em Roma após as etapas cumpridas em Freiburg, Viena, Moscou nos anos precedentes, e o que aconteceu até agora neste caminho conjunto?

R. - Roma para nós é uma cidade que está ligada à memória dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e cada vez que viemos aqui, experimentamos um sentimento muito particular ao tocar quase a história antiga do cristianismo. Mas a história do cristianismo continua e somos partícipes, ou antes ainda, criadores dessa mesma história. Exatamente quatro anos atrás, em Havana, o Papa Francisco encontrou o Patriarca Kirill e foi a primeira vez na história que um Pontífice romano encontrou um Patriarca de Moscou. Definimos aquele encontro como “histórico”, não somente porque foi o primeiro do gênero, mas porque aquele encontro abriu uma página totalmente nova nas relações entre a Igreja Ortodoxa Russa e a Igreja Católica Romana. E a tarefa do nosso Grupo Misto – à frente do qual estou eu e também o cardeal Koch - é colocar em prática o que foi dito e acordado pelo Papa e pelo Patriarca. Atualmente, temos dois tipos de colaboração nesse grupo: a colaboração cultural e a colaboração em projetos sociais mistos. Esta foi a ocasião para discutir os projetos que iremos implementar este ano e no próximo ano.

Hoje seu encontro com o Papa Francisco: quais são as expectativas?

R. - Encontrei o Papa Francisco várias vezes. Nosso primeiro encontro realizou-se no dia seguinte à sua posse na Cátedra de São Pedro. E durante todos os nossos encontros falamos sobre o estado de nossas relações bilaterais e os projetos que podemos colocar em prática. Certamente concretizaremos os projetos que já discutimos com o cardeal Koch, especialmente nossos projetos humanitários no Oriente Médio. Nossa prioridade é um projeto que consiste em ajudar crianças sírias que, que por causa das hostilidades, perderam uma mão, ou um pé ou alguma outra parte do corpo. É um projeto bastante complexo e muito caro, pois não se trata apenas de fornecer uma prótese, mas de organizar uma reabilitação completa que ajude essas crianças a se integrarem à sociedade. Gostaria que esses projetos estivessem no centro de nossa colaboração, projetos que levem ajuda aos sofredores, aos doentes e, sobretudo às crianças, porque acredito que precisamente esses projetos são a realização do que o Papa e o Patriarca conversaram em seu encontro em Cuba, mas também sobre o que o Salvador Jesus Cristo nos pediu a todos os católicos e ortodoxos.

A situação no Oriente Médio, pela qual os apelos do Papa se sucedem, também é motivo de preocupação para a Igreja Ortodoxa Russa?

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Fonte: www.vaticannews.va/pt