NOTÍCIAS

Notícias Nacionais

DIOCESE DE PARANAGUÁ: A ANFITRIÃ DA FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROCIO

22/11/2019
Dom Edmar Peron, bispo diocesano presidiu a Missa Solene, participou das principais procissões. Nesta entrevista ele faz um balanço da 206ª Festa da Padroeira do Paraná, nos traz seu sentimento pessoal sobre a devoção, mostra a importância do Rocio para a cidade e o papel de Maria na evangelização dos povos.

1) Como bispo anfitrião da Festa de Nossa Senhora do Rocio, qual a sua avaliação sobre o evento em 2019?

Eu reconheço como um evento grandioso. Para ter uma compreensão bem concreta eu precisaria participar do momento de avaliação junto todas as equipes que prepararam a festa e nela atuaram. Tive apenas a visão de momentos como a procissão marítima, o dia 15 de novembro e depois da missa procissão do retorno da imagem da Catedral para o Santuário. Nestas ocasiões vi uma fé profunda das pessoas enfrentando desafios, a chuva, o esforço para fazer uma bonita procissão, Vi muitas expressões de fé, pessoas com dificuldades que fizeram todo o caminho, gente descalça... Só posso dizer a partir dessas experiências que a festa foi uma expressão de devoção, uma expressão de igreja: Nós somos a igreja do Senhor viemos ao Santuário para honrar a mãe de Deus aqui chamada de Nossa Senhora do Rocio. Esta palavra parecia brotar do coração das pessoas que reconhecem ser o Rocio, o lugar sagrado dos Paranaenses.

2) Nascido no Paraná, como o Senhor percebia a festa da Padroeira? Mudou esta percepção nestes quatro anos, a partir de sua nomeação como Bispo da Diocese onde fica o Santuário?

Sim, sou Paranaense nascido em Maringá. Tive duas experiências em relação ao Rocio: No início do meu ministério, em 94, nas férias da família, aqui no litoral, visitei o Santuário. Em 98 como pároco, no interior do Paraná, recebi a imagem peregrina. Esta foi uma experiência comunitária, nos preparamos e os fiéis ficaram tocados pela visita da imagem. Das festas eu não havia participado, só depois da minha nomeação como Bispo da Diocese de Paranaguá. Assim tive esta grande e feliz oportunidade e a cada ano fico ainda mais encantado com a organização, com a participação do povo, com a manifestação de fé das pessoas que vem do Paraná e também de outros estados. Estes devotos vêm para pedir uma graça, para agradecer, para renovar a sua confiança por conta destes momentos tão difíceis pelos quais passamos no Brasil. As pessoas chegam aqui para renovar a sua confiança em Deus por causa de situações pessoais que estão vivendo: situações de tristeza por causa do desemprego, de doença e outras tantas. Para mim somente quem vem às procissões e quem fica no santuário nesses dias pode compreender o que é “Rocio” porque faz uma experiência de fé neste lugar sagrado.

3) O Santuário do Rocio está em área protegida dentro do atual Plano Diretor do Município, como o este plano está sendo revisto qual a sua expectativa para o desenvolvimento deste polo de turismo religioso da sua Diocese?

O Santuário do Rocio para a Igreja é um lugar de fé e de evangelização, mas para um município, para o estado do Paraná, o Santuário do Rocio é um lugar que pode marcar o turismo religioso. Isso inclui que a cidade se torne mais conhecida e visitada, que o comércio se desenvolva. É preciso que seja garantida uma boa acolhida, locais onde as pessoas irão comer, irão dormir, a relação entre o bairro do Rocio e o Centro Histórico e o cuidado com o Centro Histórico. Ou seja, o turismo religioso pode tornar-se, a partir do Santuário do Rocio, nossa situação concreta, uma boa expectativa de crescimento para nossa cidade. As pessoas não virão só conhecer os lugares de fé, mas outros prédios, outros lugares importantes e bonitos. Tudo isso precisa de cuidados, cuidados com as paredes, cuidados no modo de acolher, na infraestrutura que a cidade pode oferecer aos turistas. Espero que o Plano Diretor, ao considerar o Rocio, o considere como uma possibilidade de crescimento, de desenvolvimento ainda maior para a nossa cidade e não como um empecilho para o desenvolvimento dela.

4) Dom Edmar, nos fale sobre a importância da devoção Mariana para a Igreja Católica e para a missão de evangelizar todas as pessoas e em todos os lugares.

Maria tem um lugar importantíssimo no coração da Igreja Católica, nós nos reconhecemos seguidores e seguidoras do seu Filho. Santo Agostinho nos ajuda a compreender que antes de tornar-se mãe de Jesus, Maria é aquela que crê em Jesus. Ao anúncio do anjo ela é a primeira a dizer “sim”. Sim para Deus, sim para Jesus, para que a salvação pudesse realizar-se. Jesus diz “quem é da minha família (meus seguidores) deve ser como minha mãe, que ouve a minha palavra e a coloca em prática”. Maria, junto com os apóstolos implora a vinda do espírito em Pentecostes sinal dessa comunhão dos seguidores e seguidoras de Jesus após a ressurreição e ascensão de seu filho aos céus. Ela continua a ser nos santuários aquela que atrai as pessoas. Nestes locais o povo ouve a palavra e renova sua fé. Depois podem retornar com um novo impulso, impulso de vida, impulso evangelizador. O Santuário de Nossa Senhora do Rocio, a devoção à Maria, são importantes para a evangelização que a igreja deve assumir como compromisso primordial. Jamais poderemos deixar de lado a necessidade anunciar Cristo às pessoas e Maria nos ajuda a fazer isso!




(Pascom Diocese de Paranaguá)