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TEMPO DE CONVERSÃO

07/07/2020
TEMPO DE CONVERSÃO

A Igreja sempre ensina que estamos em processo continuo de conversão. Com o passar dos dias vamos mudando e crescendo, aperfeiçoando os nossos conhecimentos, nossos sentimentos e atitudes. O objetivo é sempre nos tornarmos pessoas melhores, de acordo com aquilo que aprendemos de Jesus Cristo como valores fundamentais. No Advento, que é a preparação para o Natal, é um tempo assim, de rever alguns aspectos da vida, mudar, melhorar, para celebrar o nascimento de Jesus. A Quaresma é outro tempo propício para essa revisão de vida, em vista de celebrar a Páscoa, vida nova com Cristo Ressuscitado.

O período pelo qual estamos passando, atacados por essa Pandemia, também está sendo um tempo de conversão. Muitas formas de pensar e agir estão sendo mudadas, mesmo que de maneira forçada, mas estamos nos reeducando.

Até pouco tempo não tínhamos horário definido para chegar em casa. Vivíamos certa “liberdade” onde cada cidadão decidia os seus horários e organizava sua vida. Hoje isso é controlado pelo “toque de recolher”. Até pouco tempo tínhamos a liberdade de encontrar as pessoas, reunir em grupos para passar algum tempo partilhando a vida e celebrando aquele encontro com abraços e proximidade sem nenhum problema. Hoje o que rege nossas vidas é o obrigatório “distanciamento social”, estando “proibida a aglomeração” e as atividades coletivas. Festas, nem pensar, mesmo que seja de seu casamento, sonhando há anos. Até pouco tempo a saúde era uma preocupação bastante individual: cada pessoa cuidava de si, estava atenta à sua saúde, buscava os profissionais quando necessário e a vida seguia um ciclo mais tranquilo. Atualmente, cada um é responsável pela saúde do outro. Usar máscara é mais uma preocupação com o outro que comigo mesmo. Quando evito tossir ou espirar perto das pessoas é uma demonstração de respeito pelo outro. Quando mantenho os ambientes ventilados e faço higiene pessoal constantemente, estou evitando que o vírus encontre abrigo em mim e nos ambientes por onde circulo.

Isso tudo é conversão. A humanidade está sendo desafiada a pensar na humanidade. Não somos mais “cada um pra si e Deus pra todos” como repetíamos no dito popular. Agora somos todos por todos ou todos perecerão. Não dá mais pra pensar de modo individual. Nem as pessoas, nem os países, nem os continentes, ninguém mais está isolado. A humanidade inteira está no mesmo barco, que as vezes parece estar à deriva, necessitando apenas da união de todos para reencontrar o caminho. As estratégias políticas, a ciência, a solidariedade, tudo deve ser pensado globalmente. É a humanidade que precisa se reencontrar, independente de cor, raça ou religião. Que Deus nos ilumine a todos nesse processo de conversão globalizada. E que no fim de tudo isso, possamos todos ser pessoas melhores, para construirmos, enfim, um mundo diferente. Que os olhares deixem de ser apenas para um “eu” egoísta e possessivo, para um “nós” inclusivo, respeitoso e fraterno. Mudar (converter-se) existe persistência e paciência. Deus abençoe você. E Nossa Senhora do Rocio te proteja contra toda tentação de desistir. Grande abraço. Bom dia.

Pe. Dirson Gonçalves, CSsR

Reitor do Santuário